Vivemos em uma era em que a digitalização da vida é inevitável. Pedimos comida por aplicativos, armazenamos documentos na nuvem, nos comunicamos por mensagens instantâneas e usamos redes sociais como vitrines da rotina. Mas por trás de tanta praticidade, esconde-se uma realidade preocupante: a exposição constante de nossos dados pessoais.
De acordo com um estudo da Surfshark, empresa de cibersegurança, o Brasil foi o 2º país do mundo com mais vazamentos de dados em 2023, somando mais de 100 milhões de registros expostos. Informações como CPF, endereço, número de telefone e até senhas foram comprometidas. É uma quantidade alarmante que revela o quanto estamos vulneráveis, mesmo sem perceber.
Boa parte dessa fragilidade se dá pelo uso despreocupado da internet e pela ausência de práticas básicas de segurança digital. Usar a mesma senha para várias contas, acessar redes públicas sem proteção, clicar em links duvidosos ou não atualizar aplicativos são hábitos que aumentam consideravelmente o risco de ataques e invasões.
Como seus dados são coletados — e por quem
Ao navegar na web, cada clique, curtida e formulário preenchido deixa rastros. Sites, plataformas e aplicativos colhem essas informações para entender seus interesses e comportamentos. Esse processo, conhecido como tracking digital, é muitas vezes feito por empresas de marketing e tecnologia para personalizar anúncios. Até aí, nada ilegal. O problema surge quando essa coleta é feita sem consentimento ou por terceiros mal-intencionados.
Em paralelo ao marketing legítimo, existe um mercado clandestino chamado de “dark data economy”, onde informações pessoais são vendidas em fóruns da dark web por criminosos cibernéticos. Essas informações podem ser usadas para fraudes bancárias, clonagem de contas, golpes de engenharia social e até extorsões.
E nem sempre o vazamento ocorre por erro do usuário. Empresas também são alvos frequentes. Um exemplo notável foi o megavazamento de dados de mais de 223 milhões de brasileiros, revelado em 2021, que expôs não apenas dados de vivos, mas também de falecidos. Esse episódio deixou claro que, mesmo fora das redes sociais, o cidadão está sujeito a riscos.
O que fazer para se proteger
A boa notícia é que proteger seus dados não exige ser um especialista em tecnologia. Pequenas mudanças de comportamento já reduzem significativamente a vulnerabilidade. A primeira delas é usar senhas fortes e diferentes para cada serviço — combinando letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos. Gerenciadores de senhas, como o 1Password ou o Bitwarden, são ferramentas seguras para armazená-las sem depender da memória.
A verificação em duas etapas também é indispensável. Ela adiciona uma camada extra de segurança ao exigir um código adicional além da senha, geralmente enviado por SMS ou gerado por um aplicativo autenticador. Mesmo que alguém descubra sua senha, sem esse segundo fator, o acesso será bloqueado.
Outro cuidado importante é evitar redes Wi-Fi públicas sem proteção, como as de cafés, aeroportos ou shoppings. Esses ambientes são alvos comuns de interceptação de dados. Se precisar usar, o ideal é contar com uma VPN (Rede Virtual Privada) para criptografar sua conexão e dificultar ataques.
Além disso, mantenha todos os dispositivos atualizados. As atualizações corrigem falhas de segurança que poderiam ser exploradas por hackers. O mesmo vale para navegadores e aplicativos.
Por fim, esteja atento ao que você compartilha nas redes. Informações aparentemente inofensivas — como nome de pet, data de nascimento ou nome da escola dos filhos — podem ser combinadas por golpistas para tentar acessar suas contas. A privacidade começa no bom senso.
Um futuro mais seguro começa com escolhas conscientes
A proteção da privacidade digital não depende apenas de empresas, legislações ou softwares. Ela começa em cada clique e em cada decisão consciente do usuário. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor desde 2020 no Brasil, é um avanço importante nesse cenário. Ela garante direitos como a transparência sobre o uso das suas informações, o direito de retificá-las ou até apagá-las. Mas, por melhor que seja a lei, ela não impede que criminosos tentem explorar brechas — e muitas vezes, essa brecha está na falta de cuidado do próprio usuário.
É por isso que, como provedor de acesso, o Grupo Connect acredita que o compromisso com a segurança digital deve ir além do fornecimento de uma boa conexão. Informar, orientar e proteger nossos clientes também é parte da nossa missão. Afinal, numa sociedade hiperconectada, privacidade é poder — e saber como manter seus dados em segurança é um dos passos mais inteligentes que você pode dar.